domingo, 30 de outubro de 2011

O RATO HIPPIE-UMA CRÔNICA-


Nosso amado cronista, Fernando Sabino, dizia em um de seus contos que toda casa deve ter um buraco negro, onde desaparecem as coisas e nunca mais a achamos.
Aqui em casa eu achei o provável dominador do buraco negro: O rato.
Num belo dia de calor resolvi limpar minha lava louças , e para tal a levei para o quintal liguei a mangueira d'água e munida de sabão comecei. Achando que precisava lavar-lhe as entranhas:por que será que temos essa mania cirúrgica de desentranhar as coisas?
Resolvi então pegar uma chave de fendas e abrir-lhe o fundo, uma intuição me indicou afastar-me um pouco, abri e o rato pulou em mim e depois de um grito dantesco, ele correu como um corisco pelo quintal e jardim, eu o persegui num sanha enlouquecida, não sei de indignação ou um oculto espírito dizimador se apoderou de mim. Mas aí o danado tinha que mostrar sua performance?
Ao ver seu corpinho gordinho,em forma de gota, subir pela parede tentando achar uma brecha para entrar na casa, me desarmei, me emocionei ao ver a força do impulso de vida e sobrevivência que dominava aquele ser tão pequeno, filosofei um pouco sobre a Criação Divina e essa Graça de dotar todos os seres do mesmo instinto básico,de sobrevivência.
O rato correu dali, não achando a tal da brecha, e eu voltei à realidade e me pus a perseguí-lo agora com menos gana, mas na intenção de expulsá-lo do meu quintal.
Aí o danadinho pára na mureta do jardim, ergue-se, junta as mãozinhas em súplica, me olha dentro dos olhos e pende a cabeçinha para o lado,pronto, estava acabada toda minha sanha assassina.
Já em outra frequência mental me dirigi ao rato exatamente nesses termos:-Irmão rato, por favor vai embora da minha casinha, eu não quero matar você, ademais você é tão lindo tão..e deixei cair uma lágrima( agora vejam se é possível um atitude dessas?).
Continuando:-Olha tudo isso que nós estamos passando agora é culpa do Senhor Walt Disney, que foi colocar avental, lençinho e coletes nos camundongos, agora eu não consigo vê-lo como uma ameaça terrível.
Enquanto eu discursava ele virava a cabeçinha ora para um lado , ora para o outo dando a perceber que participava de alguma forma daquela conversa inusitada.
Eu continuando supliquei:- pelo amor de Deus vai embora, viver livre com os outros ratinhos, porque você pode trazer doenças muito ruins para minha família, chispa daqui, xô vai embora, fiz isso mexendo com as mãos para que ele entendesse que era o fim do diálogo, ele se virou deu um pulo fantástico e se escondeu nos buracos de uns tijolos.
O Catito, meu gato que a tudo presenciou, apenas olhou para o atleta do salto ,olhou para mim e fez :-Miá, ele quando está podre de preguiça nem acaba de pronunciar o miau, veja só o que eu fui arranjar.
Dando o caso como resolvido voltei para a lava louças, feliz pelo resultado da minha pretensa doutrinação do sujeitinho...
Em seu ex esconderijo eis que encontro : uma tampinha de vasilha plástica, 80cm de cordão,a haste de um cotonete, um bolo de algodão(os do cotonete) papéis picados e pêlos.Sinais do buraco negro.
Passou uma semana ele se instalou no meu fogão, deixando um pavoroso cheiro de urina, tive de tirar o fogão para o lado de fora e de novo desmontar as entranhas do aparelho e limpar e mais uma vez tentar expulsá-lo.
Pensaram que ele desistiu? Não!
Foi pra a máquina de lavar roupas , esse trecho beira uma odisseia pós apocalíptica, o caos se instalou de tal forma na lavanderia que nem contando seria possível visualizar a cena. Como era dia de passar roupas, a tábua de passar estava com uma pilha de roupas limpas a espera do ferro, ao arrastar a máquina par expulsar o rato, quebrei o cano de entrada de água e para tampar o estampido forte e o aguaceiro que saía do cano, empurrei a tábua que foi para o chão com roupas limpas e tudo.
Nesse momento fui dominada por uma incontrolável surto de fúria, agora eu iria matá-lo.
A água escorreu pelo chão atravessou a cozinha e veio para a biblioteca, molhou os transformadores dos computadores e alguns tecidos que por ali estavam, numa luta insana, fui arrastando tudo levantando o que era possível e entre gritos de fúria e imprecações de ódio pelo famigerado rato, consegui com a ajuda bendita da Rose minha vizinha, fechar o registro de água, e devagar limpar o caos, lembrando que a geladeira gigante veio parar no meio da cozinha, pois o louco tentou esconder-se lá, as cadeiras estavam pelo chão molhado, tudo caído na voragem da minha fúria caçadora.
Por fim vimos o maldito ir para o quintal, pensei que não o veria mais pois ele deve ter sentido que o clima estava pesando para o lado dele.
Terminamos de colocar o mundo molhado em ordem, não achava técnico para religar a máquina , portanto de registro desligado ficaria sem água,como consequência da fúria surgiu uma solução em minha mente(essas coisas devem advir do instinto de sobrevivência, soluções no meio da fúria e do caos).Consertei eu mesma o registro, com um adaptador de mangueira de jardim.
Detalhe de terror, eu havia borrifado um veneno para pulgões de jardim nele, vejam aonde pode ir parar a insanidade humana, ele foi para o jardim e eu fiquei intoxicada com a boca e o nariz dormente, liguei para o controle toxicológico da embalagem do veneno, isso depois de xingar até os deuses do olimpo pois não a encontrava,quando consegui, me disseram para tomar água com bicarbonato que era uma intoxicação leve, que não me preocupasse.
Agora tudo era paz e cansaço,até o dias subsequentes.
Ele resolvera me enfrentar , não foi embora e dominou a casa por uns 5 dias, em tudo via sinais de suas patinhas, seus cocozinhos, aquele cheiro pavoroso e...
A dispensa de comidas! Foi invadida.
Como descobri?
Desse evento lhe veio o apelido de rato hippie, ele furou o saco de açúcar mascavo e se deleitou com a guloseima, antes ele já havia comido entre todas as frutas da fruteira , inclusive outras qualidades de banana, a única que era de uma penca de bananas ORGÂNICAS!!!!
Estão achando pouco? Outa manhã e o assalto foi no saco de... farinha integral!
O desgraçado do sujeitinho além de me arruinar a semana, a máquina, botar por terra meu pressuposto de que o amor resolveria tudo, agora comia a mesma comida que eu havia comido e não comeria mais , pois a cada assalto, uma coisa ia para o lixo.O Infeliz era alternativo!Isso é possível?
Resolvi então baixar o nível da relação ente nós dois e comprei...O VENENO!!!!!
coloquei dentro da banana, e... o ordinário... comeu as outras, estou falando sério! Ele agia de caso pensado.
Então cai na baixaria, então é guerra?
Peguei uma super fatia de bom queijo, polvilhado de parmesão de primeira, já deu para perceberem que o sujeitinho tem paladar requintado, fiz umas ranhuras na fatia, enchi de veneno e servi-o.
Tres horas depois a cena: migalhas de queijo mastigado, veneno esparramado, o repasto foi daqueles, e eu ria uma risada de loucos daqueles de filmes dos anos 40,minha vingança estava consumada.
O bandido, miserável sumiu de vez, deve ter ido morrer onde eu tinha indicado no meio de meu diálogo Franciscano, do lado de fora da minha casa.
Conclusão: Não subestime a inteligência de um rato, hippie ou não eles tem um a persistência aterradora. Nunca se deixe emocionar pelo estado de exclusão que aparentemente um rato tem, ele não se sente excluído de sua casa, ele quer é excluir você do paraíso de delícias que ele descobriu.
Morto o rato me senti vitoriosa, mas uma coisa é certa...
Jamais aquele olhar suplicante , naquele diálogo inolvidável, sairá dos aquivos de minha memória...
Acho que naquele momento eu amei muito aquele serzinho tão lindo, forte e determinado.
Era meu irmão, por mais que fosse uma praga, era meu irmão...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

LAVANDA.


Esta nova planta irá morar em meu jardim em breve!
É uma mudinha de Lavanda, doada com carinho pelo Denis.
Em breve sei que terei lindos e perfumados cachinhos azulados enfeitando o jardim.
Primavera, flores...
A lavanda me inspirou e vou bordar uns raminhos em uma bolsa para minha irmã, quando terminar, postarei fotos da bolsa.
Obrigado pelo carinhoso presente!

sábado, 8 de outubro de 2011

ANTIGUIDADES.O QUE SIGNIFICAM?




Sempre me pergunto: Por que gosto tanto de coisas antigas?
Estivemos no sítio de um amigo e essa pergunta voltou com muita força.Por que?
Esse carroção de imigrantes Italianos e mais muitas outras coisas, deixaram um sentimento profundo, parece que hoje, dada a banalização das coisas via internet, esse sentimento foi mais intenso.

Vem aquele atavismo do "modus operandi" da espécie humana, que fazia as coisas em tempo real, o sabor do viver era feito de realidade, esse mundo eletrônico é cheio de coisas demais, e no entanto quando desligamos o monitor fica uma estranha sensação de vazio e de cansaço.
Esse universo virtual enche os olhos, mas não deixa marcas, nosso clicar em mais uma coisa e assim sucessivamente vai aumentando a ansiedade e o tamanho do amontoado de coisas que acumulamos sobre nossa essência.Olhando pra a imagem do carroção, pensem comigo: quanto chão esse carroção já percorreu cheio de cereais para o sustento de uma família?

Quanto trigo esse pilão de pedra já socou para os kibes deliciosos?
Agora refletindo melhor, penso que o gosto que tenho por antiguidade se deva ao fato de sentir falta de ver as pessoas se ocupando mais de coisas reais do que de teclar, por isso tenho postado pouco aqui e no facebook.
Minha vida ainda é mais "real" embora eu goste de transcender, metafisicamente,mas o sabor de "fazer" esse é insuperável.
Não tem recurso de teconologia de ponta que substitua o prazer de se sovar um pão, de cavar a terra, de ver os lençóis voando leves ao sol no varal de casa.
É...Acho que é por isso que gosto tanto de antiguidades.
Vê se dá para não gostar?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

POESIA. ALIMENTO PARA A ALMA


Esse livro traz o que pode haver de mais encantador de uma só vez:Poesia, Beleza e Perfume.
Sim o livro é perfumado!"...foi perfumado com a delicada fragância Rosa Elisabetana."Agora para deleite da alma,Castro Alves!

A Duas Flores

São duas flores unidas,
são duas rosas nascidas
talvez no mesmo arrebol,
vivendo no mesmo galho,
da mesma gota de orvalho,
do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
de um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
como a tribo de andorinhas
da tarde no frouxo véu.


Unidas, bem como os prantos,
que em parelha descem tantos
das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
como as covinhas do rosto,
como as estrelas do mar.

Unidas...ai quem pudera
numa eterna primavera
viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
na rama verde e florida,
na verde rama do amor!

Castro Alves (1847-1871)

UMA LINDA PRIMAVERA A TODOS!!!!!!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

UMA CESTA DE MUITAS NOVIDADES



Essa simbólica cesta é apenas uma parte de tudo que tenho realizado nessas últimas semanas.
Desliguei-me da internet, e fiquei um pouco, apenas comigo, minha casa, meus projetos,muito silêncio e principalmente, MINHA REALIDADE.
Esse é o foco de meus afazeres nesses últimos dias, mudar aqui no mundo real umas coisas que estavam me incomodando. Ainda há muito o que fazer no jardim até que chegue a primavera, e esse trabalho me toma as horas , as forças e meus projetos mentais que tem que ir parar no papel, ganhar medidas e cálculos de possibilidade de realização.
Passei a fazer pães , bolos e biscoitos para vender aqui na vizinhança,(esse outro perâmetro de realidade), não no hipotético mundo virtual, onde as coisas tomam proporções estranhas ao nosso fazer diário, quando ganham uma foto e um texto.É que aqui nesse universo parece que tudo está resolvido, porque é tudo muito bonito e bem elaborado.
Mas as congecturas mentais sobre meu fazer nesse mundo não vinham me dando trégua, então desliguei o micro, peguei pincéis, pregos, tintas, enxada, rastelo,furadeira,e toda a panafernália da caixa de ferramentas e me coloquei em ação.
Hoje tenho um local para realizar minhas reinações no mundo do jardimRecuperei vários objetos perdidos no esquecimento como essa floreira de vasosEstou cuidando dessas ervas em vasos para quando o novo canteiro da horta ficar pronto, eu os transplante para lá.

Enfim os dias tem sido de intenso trabalho e felicidade de ver as idéias tomando forma na minha frente.
Voltamos (a família), a curtir mais o jardim e isso é um ganho importantíssimo, convivênvia e envolvimento.Nesse clima de paz e vivência de nosso jardim deixo essa linda foto feita pelo meu filho este domingo. É primavera aqui dentro de mim, agora que venham as flores e muitas aqui de fora!!!!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

UMA BOLSA PARA MINHA FILHA

Com o retorno das aulas minha filha me pediu que lhe fizesse uma bolsa para carregar os livros, pois as que se encontra para comprar, geralmente são de poliéster e vão cedendo com o peso dos livros.
Então comprei 1 metro de jens, e fiz essa prática sacola para livros e outros pequenos objetos.
Com a sobra do jeans estou fazendo uma mochila para meu filho, mas ainda faltam detalhes para terminar, assim que terminar posto a foto.
As necessidades de uma família sempre nos fazem criar todo tipo de coisa, de bolsas, a pintura de paredes . Mães estão sempre às voltas com algum empreendimento dessa natureza.
E evoluir é mesmo isso, criar o útil por amor.

terça-feira, 26 de julho de 2011

REFORMA NO MEU ATELIÊ/BIBLIOTECA

Toda reforma começa com o desmontar do velho estado de coisas que já não atende às nossas
necessidades.Assim comecei. Afinal, livros, tecidos, tintas, aviamentos e mais umas "coisas" sem função, não podem ficar num ambiente mínimo, sem que atrapalhe qualquer processo criativo.
Então tirei tudo do lugar, inclusive umas prateleiras horríveis que já não serviam para nada que não fosse, entulhar coisas.
Munida de massa pra tampar buracos de parede, lixas e tinta , chamei meu filho para me ajudar.
Após umas horas de preparo da parede(estava cheia de furos e buchas de parafusos), preparo da cor, não tínhamos uma tinta específica, fizemos a cor com uma mistura improvável.
Mas quando se sente que é hora de mudar as coisas, não tem outro jeito, tem que ser feito.
Quando terminou pedi a ele que fizesse na parede um fio como os de eletricidade, e que nele tivesse alguns pássaros, e o meu filho que é artista disse que pintados de branco ficariam delicados e harmônico; pronto foi e fez!
Para as prateleiras , desenhei o projeto(que teve que ser readaptado, pois ficou muito grande),
Serramos as prateleiras velhas, parafusamos e pintamos.A mim o resultado não poderia parecer melhor.
Quanto aos livros , além da limpeza, reorganizei por autores, e os de uso frequente coloquei numa caixa de frutas, patinada.
Agora tudo está organizado e funcional, posso costurar os panos de prato da torchon, sem a interferência das minhas coisas pessoais.Aliás esse o aprendizado mais difícil, definir o que é meu e o que é meu trabalho, talvez agora o próximo passo , emocionalmente falando seja definir horários para que esse trabalho aconteça, não que eu não acredite no lampejo de criatividade, ele é tudo em que acredito para se criar , mas dar uma ordenação para isso faz eu pressentir que me restará uma liberdade maior de ações minhas, leituras, estudos, e jardinagem. Da maneira como tenho feito , funciona mal, não tenho conseguido dar continuidade para nenhuma das minhas atividadaes, pois estou sempre envolvida num emaranhado de objetos e o pior, de pendências.
Acredito estar evoluindo com essa pequena , mas muito simbólica reforma.Tirei também tudo que era velho para fora, pena que não seja tão rápido e fácil reformar e compartimentalizar dentro de nossa alma, mas evoluir é não desistir de superar-se.
E eu não desisto.
Agora é mãos ao trabalho, que do resto, meu esforço e o tempo se incumbirão!